Marcas fazem sucesso criando roupas para mulheres baixinhas

Roupas com corte errado? Nunca mais! Conheça a Petite Studio e Stature.

“Na indústria, o pensamento é assim: você faz uma peça de tamanho comum, e aí reduz as medidas e a escala, e pensa que vai servir em todas as meninas baixinhas. Mas, na verdade, isso nunca funciona! As calças cropped não ficam cropped, as saias míni ficam mídi, as mangas ficam com comprimento errado…”. Essa foi a fala inaugural de Jenny Wang, criadora de uma marca específica para mulheres baixinhas, a Petite Studio, que nasceu em 2016. Ela também é “Petite” — nomenclatura que se refere a quem tem altura mais enxuta –, e descreveu os percalços de se fazer compras com menos de 1,65 m: “para começar, ir às lojas já pensando nos ajustes”. Quem se identifica?

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Sisters who wear Petite Studio together stay together

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De acordo com ela, a marca surgiu para que o mercado parasse de fazer roupas de um tamanho só — sendo que o mundo é tão diverso. Ela deu tanta atenção para desenvolver as medidas de suas criações que os itens parecem ter saído de uma loja customizada. “Quando desenvolvemos nossa grade, fizemos com meninas petite. Tivemos muitas tentativas até acertar os tamanhos corretos. O resultado é que aqui é possível encontrar peças no tamanho P, PP e PPP com mais estilo do que qualquer outro lugar.” Ela engatou: “Na verdade, nenhum corpo é uma “excessão” — é a indústria que faz com que tanta gente diferente seja encaixada em tamanhos considerados maioria ou minoria”.

O Brasil ainda não tem marcas assim, mas não é por falta de público. Linhas especiais de grandes lojas de departamento, — como a Petite, do tempo em que a Topshop ainda vendia aqui — são queridinhas. Mas existem ainda muitas barreiras de produção para que lojas voltadas para um público específico continuem a aumentar por aqui.

Nos Estados Unidos, a mesma busca pautou a Stature, marca criada em Nova York por Avani Agarwal e Camile Moroz, que ficaram impressionadas com um dado que chama atenção: 50% das mulheres americanas são menores do que a maioria das modelos. A dupla costuma rodar as boutiques de Nova York fazendo um garimpo não-vintage, mas voltado para mulheres com menos de um metro e setenta. Depois, elas tiram as medidas, vestem as modelos, e descrevem com detalhes as características de cada peça no seu e-commerce. Quem compra online sabe tudo sobre o caimento dos itens, já que elas contam até se a modelo se sentiu confortável no traje. Sabe aquela peça PP que você dá sorte de achar de vez em quando? É essa que elas buscam, para juntar tudo em um lugar só e facilitar a vida.

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“Isso tudo significa que cada item de nossas coleções são menores no dorso e nas barras. Os ombros também são menores, os buracos das mangas são menos largos e mais para cima, e as calças têm o tamanho correto entre cintura e bainha”, contam elas. O legal dessa descrição é que ela levanta um ponto que está mudando nesse mercado: nem todas as mulheres petite são magras — e justo que marcas que nasceram para vestir bem agradem pessoas com diferentes corpos, né? Assim, e com fotos que refletem essa diversidade de corpos e também de idades, a marca tem ajudado a propagar a ideia de que “Petite” não é sinônimo de magreza e juventude.

Em seu Instagram, elas falam de figuras com feitos impressionantes que eram baixinhas — como Louise Borgeois e Joan Didion, para levantar a autoestima de quem está lendo. Em um post, elas enaltecem a escritora norte-americana: “#MondayMuse: A lenda Joan Didion, que tem 1,52 m e nos lembra, entre tantas outras coisas, sobre o poder do respeito próprio como uma prática constante. “Ter esse senso intrínseco de seu valor que, para o bem ou para o mal, constitui seu respeito próprio, é potencialmente ter tudo: a habilidade de escolher, de amar e de ficar indiferente.” #standsmall #petitepower”

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As marcas sã0 pequenas e precisam de investimento para que diversifiquem as medidas em cada tamanho — e ambas não entregam fora dos Estados Unidos. Levando em conta que o Nora Coat, casaco best-seller da Petite Studio esgota toda vez que fica disponível para compra, não faltam dúvidas que o destino das labels é o sucesso. Ele chama a atenção porque tem ombros no lugar certo e atenção especial no comprimento. “É fácil de vestir, e mesmo que seja oversized, os tamanhos são exatos. Não me sinto mergulhada dentro dele, o que é raro!”, conta uma consumidora através do Instagram da label.

All boxes checked with our new Aspen Coat.

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A maior dificuldade da Petite Studio fica em uma área inusitada: “uma das coisas mais frustrantes para nós é procurar modelos“, conta Jenny. Já pensou que, como essas mulheres não estão na mídia e nos anúncios, nem todo mundo com menos de 1,60 se arriscaria a ser modelo? Mas elas também têm a solução: “estamos lançando uma campanha para encontrar um talento petite na indústria”, conta Jenny. “Não posso contar muito, mas estamos muito animadas para 2018!”

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