Maria Grazia Chiuri: “Nem todas as mulheres podem ser modelos”

A estilista da Dior acredita que é preciso um tamanho específico para a profissão, mas outros nomes da moda mostram o contrário.

Se por um lado a New York Fashion Week teve que lidar com diversas baixas em seu line-up, por outro ganhou relevância pelas iniciativas de alguns estilistas em levar mais diversidade às passarelas. Christian Siriano, Prabal Gurung e Michael Kors colocaram modelos como Ashley Graham e Candice Huffine em seus desfiles, nomes que há tempos advogam por uma moda mais inclusiva e viraram referência do movimento ‘body positivity’.

Enquanto o debate ganha cada vez mais força na Big Apple, a Cidade Luz está começando a lutar contra práticas arcaicas. Apenas no começo deste mês, o grupo LVMH e o Kering anunciaram que vão deixar de contratar meninas que apresentam o Índice de Massa Corporal mais baixo do que é considerado saudável, uma decisão que faz parte da reorganização que as marcas precisam passar para se adequarem às novas leis francesas.

Neste contexto, a estilista Maria Grazia Chiuri, que apresentou o verão 2018 da Dior na última terça-feira (26.9) durante a Paris Fashion Week, demonstrou seu apoio às decisões declarando que entende o quanto essa imagem de magreza extrema é prejudicial às mulheres, principalmente às mais novas, mas que, ainda assim, nem todas podem ser modelos.

dior-verao-2018 Desfile de Verão 2018 da Dior.

Desfile de Verão 2018 da Dior. (Agência Fotosite/Agência Fotosite)

“Se você quer ser um cantor, você precisa ter uma voz. Se você quer ser alpinista, você tem quer ser atlético. Há algo que é específico”, declarou ela à agência de notícias AFP. “Nós trabalhamos com um manequim da “Stockman”, 37. Nós não trabalhamos com 40 porque é muito difícil para depois fazemos os outros tamanhos. Existem alguns tamanhos que são bons para fazer o protótipo. Então precisamos de garotas que tenham o talento e tenham nascido neste tamanho”.

Criar protótipos para um tipo específico de corpo é continuar propagando uma imagem única de beleza, principalmente quando consideramos que o desfile é apenas uma parte de todo o processo. Afinal, são exatamente as roupas apresentadas nas semanas de moda que costumam ser usadas em campanhas e editoriais, fazendo com o que o mesmo tipo de modelo seja novamente escalado para aparecer em outdoors, páginas de revistas e anúncios na internet, criando, assim, um padrão.

Ao olhar para as blogueiras e celebridades convidadas a usar os looks da passarela nas primeiras filas o mesmo tipo de corpo se repete e até em tapetes vermelhos são as atrizes e cantoras que cabem nas peças do desfile que normalmente são escolhidas para usá-las — não é de se estranhar que mulheres como Leslie Jones relatem tanta dificuldade para encontrar um vestido para suas premiações. É como se por todos os lados que virássemos, só existisse uma referência de beleza.

O outro lado

Essa ideia, no entanto, vem sendo refutada pelos designers norte-americanos, que não pouparam palavras ao apontar que este seria um pensamento preguiçoso. “Os estilistas que falam que é mais difícil desenhar para mulheres com curvas são preguiçosos. Todo corpo é diferente, mas ser um estilista é isso. Não é apenas adicionar glitter e bordados”, disse Prabal Gurung à revista Cosmopolitan. “Mudanças verdadeiras vão começar a acontecer quando elas aparecerem na Europa. As semanas de moda europeias são as piores… elas são notoriamente horríveis em incluir pessoas e ninguém fala sobre isso. Chegou a hora”.

prabal-gurung-candice-huffine-nova-york-2018-verao Candice Huffine na passarela de Prabal Gurung durante a semana de moda de verão 2018 em Nova York.

Candice Huffine na passarela de Prabal Gurung durante a semana de moda de verão 2018 em Nova York. (Getty Images/Getty Images)

Christian Siriano, por sua vez, foi além dos desfiles e explicou que aumentar a grade de tamanhos de suas lojas seria realmente um risco financeiro, mas que ele estava disposto a correr. “Vamos dizer que você queira uma linha que vá do 34 ao 50. Para ter uma peça de cada, seriam nove unidades. Se a coleção tiver 100 peças, seriam 900 peças! Com 900 peças, você poderia falir em uma temporada. É a logística”, explicou. No entanto, ele preferiu diminuir a quantidade de designs e aumentar a grade e, agora, está se preparando para abrir duas novas lojas em Manhattan, devido ao sucesso de suas criações para diversos tipos de mulheres.

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