ModaLisboa começa hoje comemorando 25 anos de vida

Eduarda Abbondanza fala com exclusividade à ELLE sobre semana de moda portuguesa.

Começa hoje a semana de moda portuguesa, a ModaLisboa. Esta edição tem sabor especial, já que o evento comemora 25 anos de estrada. No line-up, nomes consagrados como Filipe Faísca, Alexandra Moura e Nuno Gama dividem espaço com jovens talentos, como David Ferreira, que foi premiado em Londres e em Nova York com sua primeira coleção e agora mostra seu segundo trabalho oficial em seu próprio país. Em Lisboa, a presidente do evento, Eduarda Abbondanza, fez um balanço dessa trajetória em entrevista exclusiva à ELLE.

O que mudou desde o início do evento, há 25 anos?

Em 1991, não havia ensino de moda, não havia imprensa especializada e só uma agência de manequins. Nossos amigos desfilavam as peças e eram jornalistas de cultura que escreviam sobre os desfiles. Não havia roupas portuguesas, apenas as marcas internacionais. Tudo começou no Bairro Alto, com talentos criativos que se reuniam em torno de moda, arte, música, teatro, escrita. Nomes como Ana Salazar e José Antonio Tenente surgiram nessa época.

Qual a importância da ModaLisboa para a moda portuguesa?

Um dos méritos é termos hoje uma indústria de moda, que tem uma riqueza maior do que a indústria têxtil, cria novas oportunidades de empreendedorismo. Depois da Comunidade Europeia, o marketing dos países foi substituído pelo marketing das cidades. E nós fomos os primeiros a usar o nome de Lisboa.

Quais são as grandes características da moda portuguesa?

A imprensa estrangeira vem sempre em busca do típico e nós queremos sempre mostrar algo universal. A mistura das cores, por exemplo, é algo muito particular da moda portuguesa.

Quem são os novos talentos portugueses para ficar de olho?

David Ferreira, que já esteve em Nova York e na London Fashion Week. Nair Xavier, Olga Noronha, Luís Carvalho.

O que tem tornado Lisboa um ponto de referência hoje na economia criativa?

Os makers se encontram naturalmente. Moradia barata, vida noturna, clima incrível, algo tradicional, segurança. Essa mistura perfeita que temos em Lisboa favorece muito a cidade.

Como você vê o futuro?
Nosso objetivo é não perder o que temos de melhor. Não temos escala gigantesca nem massificada. As etiquetas de fabricação voltaram a ter seu valor. Não queremos perder os valores reais. Nesses 25 anos, nos destacamos também pela relação com as marcas. Temos know how em ajudar os criadores a desenvolver suas marcas. E o faro para apostar em novos nomes. Fomos nós, por exemplo, que apadrinhamos os Marques’Almeida. Isso é um trabalho único.  

Como você avalia a discussão atual sobre mudar o calendário da moda aproximando os desfiles da entrada das coleções nas lojas? A ModaLisboa e os estilistas que participam dele pretendem aderir?

Temos observado com entusiasmo e curiosidade os vários formatos que têm surgido recentemente, no sentido de aproximar os desfiles da chegada das coleções às lojas, o que se traduz numa aproximação do evento desfile ao cliente final e ao grande público. A ModaLisboa acredita que esta mudança de paradigma é inevitável e há várias estações que percebíamos esta necessidade. Queremos implementar novos formatos, mas fazê-lo de forma reflectida e estrutural nas apresentações da próxima estação, em Outubro 2016.

Essa mudança não espremeria ainda mais o tempo de criação, fazendo com que os designers tivessem pouco tempo para amadurecer as coleções?

Como em qualquer processo de mudança, em uma primeira fase testam-se vários formatos até se encontrarem as melhores soluções. Nesta fase inicial, poderá haver um encurtar de timings, mas penso que irá incidir mais sobre os timings das matérias têxteis e da produção. O sistema está muito condicionado, os timings apertados têm reduzido o espaço para a experimentação e esta mudança que assistimos agora terá de incorporar esta falta de tempo e produzir soluções que sejam positivas para a indústria no seu todo.

Qual você acredita que seja o futuro para que a moda, como laboratório de criação, não morra?

A moda será sempre um espaço de reflexão do presente para o futuro. Propondo novas ideias, anunciando territórios criativos. A reflexão sobre o presente leva a moda por novos caminhos que cruzam diversas áreas, metodologias, tecnologia. Existem muitos desafios que são visíveis atualmente, e que reflectem os tempos estimulantes que vivemos. É com entusiasmo que somos parte desse processo.

Como você vê a discussão atual sobre mudar o calendário da moda aproximando os desfiles da entrada das coleções nas lojas?

O Moda Lisboa e os estilistas que participam dele pretendem aderir? Temos observado com entusiasmo e curiosidade os vários formatos que têm surgido recentemente, no sentido de aproximar os desfiles da chegada das coleções às lojas, o que se traduz numa aproximação do evento desfile ao cliente final e ao grande público. A ModaLisboa acredita que esta mudança de paradigma é inevitável e há várias estações que percebíamos esta necessidade. Queremos implementar novos formatos, mas fazê-lo de forma reflectida e estrutural nas apresentações da próxima estação, em Outubro 2016.

Essa mudança não espremeria ainda mais o tempo de criação, fazendo com que os designers tivessem pouco tempo para amadurecer as coleções?

Como em qualquer processo e mudança, numa primeira fase testam-se vários formatos até se encontrarem as melhores soluções. Nesta fase inicial, poderá haver um encurtar de timings, mas penso que irá incidir mais sobre os timings das matérias têxteis e da produção. O sistema está muito condicionado, os timings apertados têm reduzido o espaço para a experimentação e esta mudança que assistimos agora terá de incorporar esta falta de tempo e produzir soluções que sejam positivas para a indústria no seu todo.

 Qual você acha que é o futuro para que a moda, como laboratório de criação, não morra?

A moda será sempre um espaço de reflexão do presente para o futuro. Propondo novas ideias, anunciando territórios criativos. A reflexão sobre o presente leva a moda por novos caminhos que cruzam diversas áreas, metodologias, tecnologia. Existem muitos desafios que são visíveis actualmente, e que reflectem os tempos estimulantes que vivemos. É com entusiasmo que somos parte desse processo.

 

 

 

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