Morre Zombie Boy, o modelo todo tatuado Rick Genest, aos 32 anos

O canadense ganhou o mundo da moda ao posar ao lado de Lady Gaga no clipe de 'Born This Way'

É com pesar que noticiamos a morte do modelo canadense Rick Genest, conhecido popularmente como Zombie Boy devido ao número avassalador de tatuagens que carregava em sua pele. O recordista do Guiness com mais tatuagens de insetos e de ossos foi encontrado em seu apartamento nesta quarta-feira (1.8) e as autoridades declararam sua morte como suicídio.

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Genest ganhou mais reconhecimento por seu trabalho quando apareceu no clipe de Lady Gaga ‘Born This Way’. Na época, o stylist da cantora era o ítalo-japonês Nicola Formichetti — outro fã de Zombie Boy. Não à toa, enquanto esteve à frente da Thierry Mugler, Formchetti ainda o transformou no garoto-propaganda da etiqueta (foto acima).

Vale lembrar que o hype foi tanto que até o Brasil trabalhou com o modelo. Em 2011, a Aüslander, marca que pertencia ao line-up do extinto Fashion Rio — principal semana de moda do Rio de Janeiro — convocou Genest para o seu desfile em terras brasileiras.

“O suicídio de Rick Genest, Zombie Boy, é mais do que devastador. Temos que trabalhar mais para mudar a nossa cultura e trazer a saúde mental para o debate e apagar o estigma de que não podemos falar sobre isso. Se você está sofrendo, não hesite em ligar para um amigo ou para a sua família hoje. Nós precisamos começar a salvar uns aos outros”, escreveu Gaga no Twitter.

Nicolas Formichetti — que foi quem o descobriu via Facebook — também se manifestou sobre a morte do colega em suas redes sociais: “Absolutamente de coração partido. Descanse em poder, Zombie Boy. Mando as minhas condolências e amor a sua família e amigos nesse momento duro. Lembrem-se, sempre que estiverem sozinhos, peçam ajuda“, alertou seus seguidores ao informá-los do número de telefone da Linha Nacional Contra o Suicídio dos Estados Unidos.

“Sinto que a cada passo que dou estou sendo julgado. Mesmo assim, entendo a oportunidade que isso me dá de conscientizar as pessoas a respeito de aceitação, tolerância e abraçar as diferenças.” – Rick Genest, Zombie Boy.

Antes da fama toda — até escultura do artista britânico Marc Quinn ele ganhou — Genest não teve uma vida fácil. Pelo contrário, apesar de desde cedo se identificar com a cultura gótica das ruas, seus pais eram muito ligados à religião cristã. Só para ter uma ideia, ele não podia participar de nenhuma atividade considerada pagã: decorar árvores de natal, abóboras de Halloween, etc.

Além disso, ainda teve que enfrentar um tumor no cérebro aos 15 anos de idade. “Eu saí do hospital sendo a segunda pessoa nos Estados Unidos que tinha sobrevivido àquela cirurgia que ainda era extremamente experimental”, disse em sua palestra TedX cujo título é “A normalidade é uma ilusão“. No mesmo discurso, também falou sobre aceitação, passagens de bullying por sua vida e o quanto precisamos passar a respeitar nossas diferenças.

zombie boy

 (Stephen Lovekin/Getty Images)

Pouco depois da retirada do tumor, o futuro Zombie Boy entrou em uma briga muito intensa com seus pais e decidiu sair de casa e foi aí que suas tatuagens começaram a existir. Passou cinco anos vivendo em condições muito difíceis até finalmente ter sido descoberto por uma revista especializada em cultura alternativa. Nessa época, ele já tinha tatuado um crânio sobre seu rosto — imagem que o ajudou a catapultar o seu sucesso.

“O conceito do zumbi é, na verdade, uma metáfora para o consumismo. Rebelar-se contra essa noção é dá sentido ao movimento punk. A origem dessas criaturas são de histórias em que pessoas eram queimadas por ter algum tipo de praga. Depois, elas voltavam transformadas como zumbis. Zumbis, para muitos, representam a oposição a uma xenofobia violenta. Assim como na minha vida: eu sempre fui excluído, odiado ou mal-compreendido”, disse o modelo que também participou de uma campanha para o rapper Jay-Z e do filme 47 Ronin ao lado de Keanu Reeves à Wonderland

“Muitas coisas continuaram iguais depois que fiquei realmente famosos. Mas, é impressionante ver as reações em massa a meu respeito. Antigamente, eu tinha o meu lugar garantido entre aqueles que entendiam a minha arte e eu tinha o luxo da privacidade. Agora, sinto que a cada passo que dou estou sendo julgado. Mesmo assim, entendo a oportunidade que isso me dá de conscientizar as pessoas a respeito de aceitação, tolerância e abraçar as diferenças.”

 

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