O guia definitivo para você entender todas as trocas de estilistas que rolaram na última temporada

A maratona de desfiles acabou. O tradicional calendário gringo teve início em Nova York e terminou no dia 5 de outubro, em Paris, trazendo muitas novidades para a gente discutir ao longo dos próximos meses – o shape que aumentou e diminuiu, a paleta que tonalizou a estação e também as peças hit que serão a nossa referência dessa temporada.

Com tanto burburinho saindo de cada passarela, algumas questões falaram mais alto, como a “dança das cadeiras” no mundo fashion, que fez uma verdadeira reviravolta na direção criativa de algumas etiquetas tradicionais. Nomes bastante conhecidos foram chefiar o design de algumas grandes marcas. 

Fizemos uma lista com este troca-troca e apontamos os destaques das estreias para que você saiba onde estes estilistas estão e o que eles andaram criando de novo para cada label: 

Jonathan Saunders na Diane von Furstenberg 

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De onde veio e para onde foi? 

O designer escocês fechou a sua marca homônima em dezembro do ano passado, onde trabalhou por quase treze anos, e foi anunciado cinco meses depois como o mais novo estilista da Diane von Furstenberg. Ele entrou no lugar antes ocupado por Michael Herz, fazendo parte de uma nova estratégia de mercado da marca americana, que aposta agora em um nome mais estrelado. Diane, que é fundadora e presidente, tem se focado em projetos sociais, mas comentou que a paixão do estilista por cores e a vontade dele em deixar mulheres lindas devem levar a DVF para o futuro. 

O que mostrou? 

Famoso pela estamparia digital e pelos tons vibrantes, Saunders não deixou a desejar na nova temporada de verão. O estilista optou por não desfilar, mas mostrou uma coleção produzida em menos de quatro meses na qual reinterpreta de um jeito bem seu o icônico vestido envelope criado por Diane durante a década de 1970. 

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A peça ganhou fôlego com assimetrias, uma modelagem que encaixa ambos os lados de um jeito contemporâneo, e mix de padronagens e texturas que dão um toque de ousadia para todo o look. 

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Anthony Vaccarello na Saint Laurent

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De onde veio e para onde foi? 

Vaccarello vendeu sua marca própria, que tem oito anos e leva seu nome, saiu da Versus Versace e aceitou com foco total o convite da Saint Laurent, trabalhando exclusivamente agora para a bombada grife francesa. O belga pegou uma casa que teve grandes sucessos de venda nos últimos anos com o então designer Hedi Slimane e a ansiedade tomou conta da mente dos fashionistas amantes da marca que queriam saber se ele seguiria o jeitinho rock’n roll garantido pelo último estilista.

O que mostrou?

Com o lema “work in progress”, Vaccarello avisou que suas referências se mantiveram dentro da própria grife e que a criação de uma linguagem própria demanda uma construção mais gradual. 

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Apresentou tudo em um antigo monastério, no centro de Paris, que já foi usado como quartel general e é reformado hoje pela Saint Laurent. Mesmo com o conceito de processo, ele trouxe itens que já são bem típicos seus, como os vestidos sexy com fendas e recortes, que mostram a pele sem qualquer preocupação. 

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O clima foi de pegada oitentista, década que a marca já tinha resgatado durante sua última apresentação, e teve como inspiração os modelos dos vestidos e dos smokings criados pelo próprio Yves Saint Laurent ao longo deste período. 

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As desconstruções e reinterpretações de Vaccarelo foram feitas com o uso de outros materiais como o couro. Jeans, veludo e lamé também deram as caras nessa festinha de estreia.

Maria Grazia Chiuri, na Dior

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De onde veio e para onde foi? 

Chiuri deixou a Valentino, lugar por onde manteve uma parceria de quase duas décadas com Pierpaolo Piccioli, e foi direto para a Dior. A maison, apesar de mundialmente conhecida pelos códigos ladylike e pela construção de um arquétipo específico de feminilidade, nunca teve uma mulher tomando as rédeas da criação ao longo de seus 70 anos de existência. 

Ela assumiu o posto então deixado por Raf Simon em outubro de 2015, quando ele saiu repentinamente da casa. O estilista foi anunciado há poucos meses como o mais novo diretor criativo da Calvin Klein. 

O que mostrou? 

Camisetas de algodão com os dizeres “Dio(r)evolution” e “We should all be feminist” deixaram bem claro o recado que ela quis passar: Chiuri é uma mulher que veio para assumir todo o jogo. Inclusive Chimamanda Ngozi, feminista responsável pela frase que virou estampa, sentou na primeira fileira da passarela para prestigiar esse momento histórico. 

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No Museé Rodin, as modelos entraram com roupas que pareciam looks de batalha. A modelo Ruth Bell, por exemplo, com seu cabelo megacurto, abriu o desfile com um look todo branco, pronta para o combate: no colete, uma referência à esgrima e, nos pés, botas baixas de cano alto amarradas com cadarço, que lembram aquelas usadas pelos boxeadores dentro dos ringues.

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Nos detalhes, ao longo do desfile, o desenho de um coração e outros motivos das cartas de tarot que faziam um link para uma parte mais poética. Neste momento, Chiuri apresentou signos mais característicos seus, como os longos de tule bordado que parecem contar uma história.

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A nova proposta Dior também tem seus momentos pop, como a brincadeira com o clima esportivo na logomania dos anos 1990 ou nos sneakers enfeitados. 

Pierpaolo Piccioli, na Valentino

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De onde veio e para onde foi?

Diferentemente dos outros colegas dessa lista, Pierpaolo foi uma peça do jogo de xadrez que não se moveu. Ainda na Valentino, ele se viu em carreira solo com a saída de Maria Grazia Chiuri. O desafio de continuar a identidade que criaram juntos para a marca foi posto em cheque e, no final das contas, todos queriam saber o que ele tinha só de seu para mostrar nas próximas temporadas da grife.

O que mostrou? 

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Piccioli foi buscar inspiração na arte medieval, mas guiou o seu olhar mais especificamente para o tríptico d’Os Jardins das Delícias Terrenas, de Bosch. Puxando para o agora, ele foi atrás também da designer britânica Zandra Rhodes, para produzir pinturas usadas como estampas, e ele então tratou de fazer as conexões entre as épocas. 

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No Hotel Salomon de Rothschild, longos dos sonhos continuaram a essência da Valentino e mostraram que o mood romântico sempre esteve ali mesmo com o estilista. Uma paleta de nudes, pink e vermelho com imagens de plantas e animais fantásticos fecharam toda essa fábula moderna quase hippie. 

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Bouchra Jarrar, na Lanvin

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De onde veio e para onde foi? 

Bouchra Jarrar virou a mais nova diretora artística da parte feminina da Lanvin, deixando uma linha própria especializada em couture, pela qual trabalhou desde 2010. Ela entrou no lugar de Alber Elbaz, que ficou por 14 anos na etiqueta transformando a casa em um acervo de desejos quando o assunto era cocktail dresses. 

O que mostrou? 

Menos noturna que seu antecessor, Jarrar explorou uma alfaiataria bem tranquila com tecidos leves. A expertise na modelagem, pela qual ela é tão conhecida, apareceu na sua já tradicional birkin em jaquetas e coletes. O toque mais dramático ficou por conta das golas que explodiram cheias de plumas.

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De resto, tudo era muito mais confortável e com cara de pijama andando na rua. Vestidos camisa que vão até o chão, slip dresses com detalhes de renda e conjuntinhos listrados molengas, todos eles, fecharam uma descontração luxuosa, como uma mulher dandy contemporânea que a marca propõe agora.  

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