“O jeito como a moda trata as mulheres gordas é horrível, ofensivo e desmoralizante”, diz Tim Gunn

Nem mesmo o seu reality ficou imune às críticas.

Se existe um nome respeitado na moda, esse nome é Tim Gunn. Além de ser o mentor de Project Runway, ele é um dos consultores de moda mais reconhecidos no meio. Por isso, quando ele decide criticar o mercado, é hora de todo mundo prestar atenção.

Tim escreveu uma carta aberta no Whashington Post chamada “Designers se recusam a fazer roupas que vestem a mulher norte-americana. É uma desgraça”, em que explica, justamente, a falta de representatividade na moda e como isso afeta a autoestima feminina.

Leia Mais: Christian Siriano foi ovacionado por levar diversidade à passarela na NYFW

“Eu amo a moda norte-americana, mas ela tem muitos problemas, e um deles é a forma como ela virou as costas para muitas mulheres”, escreveu Tim. “A mulher norte-americana comum veste tamanhos entre 44 e 46, segundo uma pesquisa da Universidade de Washington. Existem mais de 100 milhões de mulheres que se enquadram no mercado plus-size nos Estados Unidos e, nos últimos 3 anos, elas aumentaram o seu poder de compra mais rápido do que as demais. Mesmo assim, muitos designers – pingando desdém, com falta de imaginação ou muito covardes para se arriscar – ainda se recusam a fazer roupas para elas”.

A discussão, claro, não é nova, nem deixou de ser importante. Christian Siriano, por exemplo, usou o seu desfile nesta temporada de moda de Nova York para levar para a passarela a representatividade – entre mulheres magras e gordas, com diferentes tipos de corpos – e não à toa foi ovacionado. O estilista é um dos que decidiu se arriscar e produzir mais quantidade de peças em diferentes tamanhos. De acordo com ele, isso pode levá-lo à falência, mas, mesmo assim, ele acredita que vale a penta tentar. Christian também foi quem se predispôs a socorrer a atriz Leslie Jones, que não conseguia encontrar um designer que a vestisse para a première do filme Caça-Fantasmas.

Tim ainda aponta para o fato de que, passarelas à parte, a oferta, no geral, de produtos para essas mulheres é mínima. Segundo ele, apenas 8,5% dos vestidos oferecidos na Nordstrom em maio deste ano vinham em tamanhos grandes. Já na J.C Penney, o número é de 16% e no e-commerce da Nike, o total era de cinco peças de roupa. Isso, mesmo. Cinco peças, e não 5%.

“Você já fez compras para um tamanho acima do 42? Baseado na minha experiência de compras é uma experiência horrível, ofensiva e desmoralizante. Metade das peças fazem o corpo parecer maior, com detalhes como ombreiras, pregas ou franzidos. Tons pastel ou estampas maximalistas e loucas, todas garantido um visual infantil ou que façam você pareça um balão”, critica.

Nem mesmo o seu reality, que deu o prêmio da última temporada para Ashley Nell Tipton, que ganhou com a primeira coleção plus-size do programa, ficou imune às críticas. Para ele, a vitória não foi sincera, mas sim um prêmio de consolação para mostrar que, pelo menos, os jurados estavam cientes da necessidade de representatividade – mesmo que as roupas criadas pela designer não fossem bonitas.

No mais, o importante é saber que Tim tem razão: existe um pedido por roupas que sirvam a todas, não importando tamanho ou tipo de corpo, e um pedido por produções que não valorizem apenas aquela parcela da população que está nas passarelas a cada seis meses.

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