Os destaques da 21ª edição do Minas Trend

A semana de moda mineira mostra que todos saem ganhando quando estilistas e marcas têm uma conversa direta e sincera com as suas consumidoras.

O Minas Trend, em 2017, completa uma década de vida e 21 edições na cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais. O evento, que desta vez aconteceu de 2 a 6 de outubro, se estrutura como metade passarela, para estilistas se apresentarem com a liberdade poética que o desfile pode proporcionar, e outra parte stand, com marcas expondo e vendendo as suas novidades de inverno 2018 para multimarcas daqui e de fora, somando quase quatro mil compradores atentos.

O resultado deste “pé aqui e outro lá” faz com que a semana de moda mineira vire um importante eixo de negócios para o setor em todo o País sem que se perca o caldeirão criativo da coisa – afinal, é neste caldo que borbulham novos designers e empresas espertas, com produções que não ficam presas apenas a uma escala regional.

Os destaques do line-up da edição, então, acabam sendo justamente os nomes que olham para esta estrutura e conseguem se equilibrar entre a importância da fantasia e o desejo de consumo.

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Lucas Magalhães (Agência Fotosite/Agência Fotosite)

Pegue, por exemplo, a primeira coleção independente do estilista Lucas Magalhães. O designer, em entrevista exclusiva à ELLE, anunciou que agora caminha sozinho com sua marca homônima, após três anos de vínculo ao Grupo Nohda – a reunião de marcas capitaneada pela empresária e estilista Patricia Bonaldi.

Como justificativa para a sua saída, Lucas Magalhães falou da “necessidade de poder experimentar mais livremente [em suas coleções], sem tanto compromisso comercial”.

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Lucas Magalhães (Agência Fotosite/Agência Fotosite)

O que acontecerá daqui para frente na marca, só o tempo dirá, mas já neste inverno recém-apresentado, o comercial e o criativo foram muito bem ponderados pelo estilista, sem que nenhum pesasse mais do que o outro na passarela. Tiro certo. Estão ali, por exemplo, os elementos que lhe deram fama e, consequentemente, um retorno certo nas lojas, como as cores fortes misturadas e os tricôs nada tradicionais.

Mas a diversão com o tema, os materiais e os recortes novos – a tal da experimentação que falou – foi o complemento exato para um mix mais interessante e o agito bem dado na imagem final. Veja isso nos casacos bem jovens, fashionistas e peludinhos, com tons que lembram os grafites de rua, uma das principais referências no seu trabalho dessa vez. Eles são parte desta experimentação, mas também fáceis de usar.

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Lucas Magalhães (Agência Fotosite/Agência Fotosite)

A Bobstore veio igualmente com notícia nova. Foi a segunda vez da marca no evento, mas a primeiríssima com os estilistas André Boffano e Samuel Santos (ambos sócios da Modem Studio) como os novos coordenadores de estilo da grife.

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Eles assumiram a função na Bobstore há quatro meses e comentaram no backstage, minutos antes da estreia própria, que o processo esteve o tempo todo focado no entendimento de quem é a real cliente desta casa que já possui 21 anos no mercado.

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Bobstore (Agência Fotosite/Agência Fotosite)

A dupla decidiu respeitar a compradora já existente, não fazer uma revolução gigantesca de estilo por ali e desenhar uma imagem mais consistente de visual para esta mulher. A busca de ambos se estrutura em três pilares: uma bela base em alfaiataria, o tricô e o couro como elementos chave para produções mil e um toque mais romântico em vestidos fluidos. A resolução destes encontros é chic, clássica e passa longe do sem graça.

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Bobstore (Agência Fotosite/Agência Fotosite)

A palavra “comercial”, que tantos têm medo de usar, surge aqui como um comprometimento real de uma rede em colocar, em suas quase 60 lojas próprias e franquias espalhadas pelo país, uma roupa bem pensada, possível e nada chata.

Nem um pouco insossa também é a Led, de Célio Dias. Muito pelo contrário. O estilista tenta alcançar o tão procurado look genderless sem cair nas tentadoras garras das cores neutras ou das peças mais basiconas. O seu desejo é o de colocar meninos e meninas chacoalhando de fato alguns estereótipos. E se a garota aparece com um macacão de tricô na Led, o garoto também estará assim.

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Led (Agência Fotosite/Agência Fotosite)

O modelo andou com uma segunda pele coloridíssima? A modelo também! E unhas dos pés pintadas? Todos aparecerão desta maneira, não importa o gênero da pessoa. Célio forma com a sua etiqueta um squad real, e tudo é confirmado com gritinhos animados que surgem entre os convidados.

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Led (Agência Fotosite/Agência Fotosite)

Esta gangue, no entanto, não é feita só de loucurinhas, tem camisetas bem de rua, como a com estampa “BICHA PWR”, que vira quase souvenir da marca, ou porta de entrada para quem quer fazer parte deste crew afrontoso.

Led (Agência Fotosite/Agência Fotosite)

É desta forma que outras mineiras do streetwear pipocam levantando pautas globais: fabricando peças desejáveis e descomplicadas. A Molett, por exemplo, tem uma pegada digital e hacker no conceito e, na roupa, transforma o moletom simples em um item mais statement, como o com tratamento de resina.

A Nephew, de Vitor Sobrinho, é muito conectada com o momento atual. E nela você encontra a pecinha da vez, sempre inspirada em algum ritmo musical, principalmente o Hip-Hop. Na coleção see now buy now de verão da marca, por exemplo, estão conjuntinhos esportivos com cara de basquete. O inverno, por outro lado, pega carona nas corridas ilegais de carro, ou “os pegas”, com peças super trabalhadas, como a jaqueta com aplicação de tecido recortado a laser.

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Nephew (Barbara Dutra para Nephew/Divulgação)

Já quem é de comfort wear pode mirar na Anne est Folle, das irmãs Renata e Ludmila Manso. A roupa das duas tem uma atenção especial ao acabamento, mas acima de tudo uma silhueta interessante e livre para a mulher contemporânea e real.

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Anne est Folle (Agência Fotosite/Agência Fotosite)

Algumas peças delas são pintadas à mão e o tino comercial aparece na preocupação de fazer este trabalho tanto na seda quanto na malha, ampliando as opções de preços para as consumidoras.

Entre os acessórios, não deixe de conferir o trabalho de Carlos Penna, de Gissa Bicalho e da Misfit, das sócias Teca e Mayara.

O primeiro usa materiais inusitados, como as pedras de jardinagem e o plástico a vácuo.

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Carlos Penna, no desfile da Sindijoias (Agência Fotosite/Agência Fotosite)

A segunda entra no nicho dos maxiacessórios, com brincos e colares de acrílico.

E a terceira anda na linha das pedras não lapidadas e dos objetos-amuleto. Todas elas trazem bijoux-conceito que são sucesso entre os mais variados perfis de garotas.

Misfit (Misfit/Divulgação)

Moda festa

A roupa festa, no entanto, uma das maiores exportações mineiras, é ainda um dos setores que encontra dificuldade em largar a imagem pesada e barroca à qual ficou engessada.

Por isso, é interessante enxergar os esforços de labels como a Arte Sacra, por exemplo, que busca um equilíbrio entre a tradição e a vontade do hoje. A marca, das gêmeas Carolina e Marcela Malloy, coloca em seu inverno 2018 um bonito trabalho de bordado com efeito tridimensional e processos não tão comuns a esta produção noturna, como o corte a laser.

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Arte Sacra (Luiza Ananias para Arte Sacra/Divulgação)

Num parâmetro geral, os highlights acima mostram que, de fato, os tempos não são de loucuras às cegas e mais de conversa sincera e direta com a consumidora. Isso, claro, não pode ser feito deixando de lado o ato de sonhar, fantasiar ou proporcionar um conceito que só um bom design consegue. E quando se alcança o melhor dos dois mundos… “nu!”. Ou “nossa!” no melhor do mineirês.

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