Os detalhes do lançamento da terceira edição da Fort Magazine

Batemos um papo com Cássia Tabatini e Thiago Ferraz, responsáveis pela publicação de moda masculina.

Nesta quarta-feira (16.11), o bar O Lourdes, em São Paulo, recebe a turma da moda para o lançamento da terceira edição da Fort Magazine. A publicação anual, idealizada em 2013, faz um retrato da moda masculina e conta com nomes como Cassia Tabatini, Thiago Ferraz, Fernando Sapuppo, Kleber Matheus, Cecilia Duarte, Marcio Sminch e Cristina Naumovs na equipe. ELLE bate um papo com Cássia e Thiago sobre a nova edição e o mercado de moda masculina em geral. Confira.

A Fort foi fundada em 2013 e chega a sua terceira edição. Como acham que o processo evoluiu?

Cassia Tabatini – A primeira Fort não tinha quase vínculo com moda. Hoje o time aumentou, melhoramos a qualidade da impressão e o número de páginas quase triplicou. Também conseguimos apoio de três marcas que foram a Catwalk by Tigi, Converse e Fila. A diferença para essa edição é que conseguimos realizar advertoriais e mudamos um pouco o caminho da moda convidando grupos de amigos que trabalham juntos e apelidamos de Crew, como Ale Brito Crew, Brechó Replay crew e por aí em diante.

Qual é o principal papel da Fort hoje no mercado de moda?

CT – Queremos que nossos fotógrafos trabalhem livres, usem a linguagem autoral e constituam imagens lindas de uma maneira geral. Funcionamos como um laboratório de ideias e somos uma possibilidade a mais no mercado, oferecendo a nossa visão do que a moda está se tornando.

Fort por Marcio Simnch e Thiago Ferraz Foto Marcio Simnch

Foto Marcio Simnch (Foto Marcio Simnch/)

Quais são os principais desafios da produção?

CT – É um processo muito divertido, somos todos amigos, trabalhamos por Whatsapp e trocamos, além de informações de trabalho, músicas, artigos e piadas. Porem todos têm outros projetos, então sofremos um pouco com horários extras. Fazer revista dedica muito tempo, como vocês sabem, mesmo a nossa sendo anual, precisaríamos aumentar ainda mais nosso expediente e expandir todos os processos, da distribuição ao comercial.

Quais são os destaques da edição? Podem contar algumas curiosidades bacanas que rolaram ao longo do processo de produção?

CT – Temos muito orgulho de cada página, mas a colaboração do Walter Pfeiffer foi emocionante. Fiz o contato por meio da página dele no Facebook, e ele mesmo me respondeu aceitando participar. Falamos com a galeria que o representa, e eles marcaram a entrevista por Skype já que ele estava na Suíça. Encontrei o editor Bruno Mendonça para gravar as seis da manha de um sábado. Estávamos mortos de sono e quando telefonamos, ele pediu para ligarmos mais tarde. Por um momento achei que não ia acontecer. Fomos ao estúdio do Kleber aguardar e, depois de muitos cafés, ele atendeu e foi incrível, ficamos emocionados com cada resposta. Pfeiffer é um homem muito simples na maneira de pensar e ultrasofisticado ao mesmo tempo. Também temos uma parte foi feita na Japão pela Cecilia Duarte que também me deixou muito orgulhosa, pois pontua um novo momento na nossa imagem de moda – mais jovem e com um time de pessoas muito talentosas.

Walter Pfeiffer Foto Walter Pfeiffer

Foto Walter Pfeiffer (Walter Pfeiffer/Cortesia da Fort Magazine/)

Há quem acredite que existe uma falta de ousadia e vanguarda na criação de moda masculina no Brasil. Como olham essa questão?

Thiago Ferraz – Nos últimos 20 anos tivemos uma ótima onda de moda e comportamento masculino registrados por aqui, mas ainda precisamos de mais e com mais constância. Estamos indo pra frente, em um novo momento rico de novas marcas, com novos criadores e com mais diversidade. Isso é muito importante e precisa ser registrado sempre. Para isso precisamos de meios que abram espaço aos novos olhares. Como já existe um mainstream na informação masculina, solidificado, também na parte comercial, o nosso formato independente traz mais liberdade e a informação que acreditamos poder enriquecer esse mercado. Em nossos editoriais trabalhamos formatos colaborativos, e dessa forma mostramos que podemos comunicar e atingir necessidades comerciais de formas não convencionais. Acredito que conseguimos nessa edição expressar a diversidade presente com força na vanguarda da jovem moda masculina nacional.

Editorial Japão/Fort Magazine Foto Cecília Duarte

Foto Cecília Duarte (Foto Cecília Duarte/)

O que vocês buscam em um colaborador da Fort?

CT – Conversamos entre nós de acordo com a necessidade de cada pauta e o que gostaríamos de nos focar na edição. Queremos que cada colaborador ame o projeto tanto quanto a gente, por que é um trabalho árduo.

Tem se falado muito sobre a questão da diversidade e gêneros, especialmente quando o assunto é casting de modelos. Vocês pensaram nisso de alguma forma? Como? 

CT – Pensamos muito sobre a diversidade de gêneros, pois é um assunto velho novo de novo, e de qualquer forma achamos que poderia ser orgânico, onde coubesse, estaria aí porque o mundo é assim. Somos uma revista de retratos masculinos, porém oque seria um retrato masculino? Uma menina de aparência masculina vestida com roupas de menino é um retrato masculino? Não sei, acho que sim, então tudo ficou bem livre. Sobre diversidade tivemos muito mais opções nessa edição, trabalhamos com a Squad e a Caravan que têm uma seleção de meninos menos comerciais, e pedimos que outras agências como Joy, Ford e Way nos mandassem opções com cara de Fort, tanto menos comerciais como os que curtiriam fazer o trabalho, e também tivemos meninos que não são modelos, mas se identificam com a nossa linguagem.

Fort por Rafael Pavarotti e George Krakoviak Foto Rafael Pavarotti

Foto Rafael Pavarotti (Foto Rafael Pavarotti/)

Já estão pensando na próxima edição? Algo que possam adiantar? 

CT – Sim! Queremos fazer um canal online, aumentar nosso setor de parcerias, trabalhar e explorar imagens à longa distância, além de focar na América do Sul e Central.

Fort 03 by Zuza Krajewska Foto Zuza Krajewska

Foto Zuza Krajewska (Foto Zuza Krajewska/)

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