Como encarar o plástico das passarelas?

A Chanel e outras grandes marcas fizeram coleções inteiras com um dos materiais menos sustentáveis do mundo. Como pensar sobre isso?

A Chanel levou a tendência do plástico a um novo patamar durante seu desfile de verão 2018 no Grand Palais, em Paris. O material já vinha sendo foco de algumas marcas como a Burberry, que criou uma coleção inteira de capas de chuva com ele. A série de botas, bolsas, chapéus, luvas e mais capas da maison francesa na passarela, no entanto, transformou o PVC no novo queridinho da moda. Mas como encarar a tendência se nosso lado ecofashionista sabe que esse é um dos materiais mais insustentáveis já criados?

Chanel (Fotosite/Reprodução)

Não é só a label francesa que se aproveitou do jogo de esconde-mostra que o plástico possibilita. Os cintos transparentes da Tibi e as botas e tops da MM6 também brincam tanto com a transparência quanto com a ideia do plástico ser um produto que passa longe do luxo. É como uma prova de que até mesmo esse material pode ser transformado em lindos acessórios na mão de grandes alfaiates e costureiras. 

Tibi (Fotosite/Agência Fotosite)

No entanto, alguns designers e marcas tentam se livrar do material que foi muito utilizado como substituto do couro. É o caso de Stella McCartney, que em 2014 iniciou essa discussão ao contar ao WWD que evitava o subproduto do petróleo (um dos recursos mais escassos do mundo) por seu impacto ambiental

MM6 Maison Margiela (Fotosite/Agência Fotosite)

Além de sua fonte ser não renovável, o produto não é degradável: suas partículas apenas se quebram com o tempo. Caso seja feita a queima, as toxinas são liberadas para o meio ambiente. Se descartadas, muitas vezes terminam sujando oceanos e afetando animais marinhos — não à toa, Stella faz parcerias para transformar o material encontrado nos mares em roupas novamente. Ou ficam em aterros sanitários para sempre. Sua produção, que envolve muitos químicos, é também um perigo para os trabalhadores da indústria. Enfim: é muito difícil encontrar formas seguras de criar, usar ou descartar produtos de PVC.

A pergunta que fica é: por que um material tão custoso para o meio ambiente e para a vida é considerado descartável?

Burberry (Fotosite/Agência Fotosite)

É por isso que as criações não deixam de ser interessantes — apesar de pouco práticas para um país tropical como o Brasil. Um item pop, ícone da época atual, invadiu até mesmo a passarela de designers conhecidos por utilizar tecidos nobres como a seda. Assim como os polêmicos sapatos Crocs de plataforma da Balenciaga, o plástico está aí para mostrar que novos questionamentos estão sendo feitos. É um desafiado ao olhar, divertido para tempos estranhos, que talvez fique melhor ali, na passarela.

Se quisermos levar para as ruas, nos brechós ao redor do mundo certamente descansam itens feitos de plástico desdenhados por fashionistas que nunca imaginariam que a Chanel poderia basear uma coleção inteira nele. Esses estão prontos para serem consumidos e recolocados em circulação, resgatando seu propósito original: serem usados. Nesse caso, não apenas os consumidores saem mais satisfeitos com a compra, mas o meio ambiente também.

Valentino (Fotosite/Agência Fotosite)

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