Prepare-se: a Zoomp vai voltar!

Alberto Hiar, dono da Cavalera, arrematou a grife em um leilão e promete seu comeback em janeiro de 2017.

“Não tinha uma bundinha que não ficasse bem com o jeans da Zoomp”, diz Renato Kherlakian, deixando escapar um sorrisinho de contentamento. Sentado em volta de uma grande mesa em seu apartamento na capital paulista, o empresário lembra a trajetória da grife que se tornou um marco do jeanswear brasileiro – história que ele conta em seu recém-lançado livro Uns Jeans… Uns Não (Senai-SP Editora, R$ 129).

A obra chega ao mercado em um momento promissor. A marca, que Renato criou e comandou por 32 anos, deve ser relançada em janeiro de 2017. “Já estamos recriando os tags, organizando o que será a identidade visual da nova Zoomp e contratando pessoas para a equipe. Ainda não temos um diretor criativo, mas a Emilene Galende é a nova coordenadora de estilo”, afirma Alberto Hiar, dono da Cavalera, que arrematou a grife em um leilão com o grupo K2, do qual é sócio-majoritário.

Divulgação Divulgação

Desfile da Zoomp para o verão 2006. O raio, icône da marca, servia de cenário na passarela.

Entre os boatos sobre a nova fase está o de que Renato voltaria à empresa como uma espécie de embaixador. “Desvincular o nome Renato Kherlakian da grife Zoomp é impossível. Adoraria tê-lo com a gente. Porém, agora, por impedimentos jurídicos, não posso contratá-lo”, explica Alberto. A grife foi vendida em 2006 à holding Identidade Moda (IM), entrou em falência, foi repassada e recuperada para poder ser vendida. A finalização do processo segue na Justiça, mas o grupo de Alberto já venceu em segunda instância.

Dez anos depois, Renato olha tudo com certa perspectiva. A venda para o IM foi, de fato, desastrosa, com uma trama de maus gestores, desvios e mentiras. Quando assinou o contrato, o designer tinha grandes planos em mente. Mais especificamente, desejava transformar a Zoomp em um gigante internacional do jeanswear. “Minha ideia era chegar ao patamar da Levi’s, algo que durasse gerações. Eles ofereciam a estrutura, e eu fui seduzido”, conta.

Renato sempre foi dado a ímpetos empreendedores. Comprou seus primeiros lotes de denim direto do Porto de Santos. Em 1974, levantou a Zoomp do zero, que surgiu com um dos logotipos mais marcantes da moda nacional – um raio meio trovão, meio epifania, meio Bowie, que a juventude levaria no bolso como um troféu.

Hoje a moda brasileira é mastigada pelo fast-fashion, e poucas grifes resistem. Nesse sentido, a parte brilhante de tudo o que fiz na liderança da marca é uma inspiração

A grife nasceu de um misto de paixões: o denim e as mulheres. Renato se casou quatro vezes, teve seis filhos e incontáveis musas. A primeira foi Catherine Deneuve, que admirava profundamente no silêncio das salas de cinema. Modelos de Monique Evans a Gisele Bündchen passaram por sua história, além de tantas anônimas das quais ele guardou só as medidas, itens importantíssimos na sua busca pelo jeans perfeito. Mas, de todas as curvas, as que marcaram foram as de Iara, sua ex-mulher. “Ela foi minha modelo de pesquisas. Hoje em dia existem scanners corporais, softwares. Eu fiz tudo da maneira analógica, medindo, testando os tecidos, inspirado no meu fascínio pelo feminino”, lembra.

O produto desenvolvido por ele realmente tinha qualidade superior. O segredo estava nas medições feitas por Renato em diferentes regiões do Brasil e do mundo, que levaram a inovações de corte e na introdução da numeração ímpar (um número intermediário com ajuste fino).

Leia mais: Será o fim do skinny jeans?

Atualmente, o designer vende essa expertise para empresas brasileiras que querem se posicionar no mercado. Sua última grande empreitada como estilista foi a RK jeans, linha ultrapremium encerrada por conta da crise que começou em 2008. Entre a criação e a falência da Zoomp, a cura de um câncer no pâncreas e novos planos, Renato só agora conseguiu parar. “O livro é um registro desses anos loucos. É um glossário sobre a Zoomp, o qual mostra como ela estava à frente em termos de branding, produto, imagem, desfiles. É algo que precisava ser registrado e que pode ser usado pelas novas gerações”, diz. “Hoje a moda brasileira é mastigada pelo fast-fashion, e poucas grifes resistem. Nesse sentido, a parte brilhante de tudo o que fiz na liderança da marca é uma inspiração.”

A partir de quarta-feira (14.12), uma lista de pessoas escolhidas a dedo recebe os primeiros teasers do que está por vir – uma reedição de um dos modelos de calça mais famosos da label. Ícone do jeanswear na década de 1990, a etiqueta promete voltar com tudo em março do ano que vem. Por enquanto, você vê na foto um gostinho do que vem por aí. Já estamos ansiosos! #aZoompVoltou

 

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