Sneaker drama: a dificuldade de encontrar os tênis hypados da vez

Analisamos as problemáticas que têm causado brigas e frustrações entre os consumidores de tênis atualmente.

Colaborações entre estilistas renomados e marcas de sneakers como Nike e Adidas não são uma novidade, assim como as parcerias que essas labels realizam com diversos esportistas, artistas plásticos, ícones da música e por aí vai. Também não é de hoje que esses produtos são lançados em quantidades e pontos de venda limitados, tornando o processo de compra mais difícil para quem quer colocar as mãos e os pés em um desses modelos exclusivos.

Porém, nos últimos dois ou três anos essa experiência se tornou, na maior parte dos casos, frustrante e até violenta. Com o exemplo do crash do aplicativo SNKRS da Nike — que não aguentou o peso do lançamento da coleção The Ten assinada por Virgil Abloh da Off White — e o cancelamento do Air Max 97/1 feito em parceria com Sean Wotherspoon por causa do tumulto que mais de 500 pessoas causaram às duas horas da manhã do dia previsto para o lançamento na porta da Need Suply em Richmond, na Virginia, a questão que fica é: por que está tão difícil (e chato) comprar sneakers atualmente?

O modelo Air Max 97, outro item cobiçado pelos sneakerheads (Fotosite/Agência Fotosite)

“No mercado de luxo e de sneakers existe o pensamento sobre o que é mais difícil de conseguir é mais legal. Não tem como negar”, diz Ricardo Nunes, fundador do site Sneakers BR. “As marcas sempre jogaram com a quantidade de peças e em controlar essa oferta e demanda. Porém, a demanda aumentou muito nos últimos anos e a oferta não cresceu na mesma proporção. Isso está criando muitas experiências frustrantes”, afirma.

No lançamento da coleção da Off White com a Nike, por exemplo, os problemas começaram a partir da mecânica de vendas. A primeira loja que venderia os tênis pretendia fazer um sorteio presencial e criou uma mecânica de distribuição de senhas para os lançamentos, que seriam feitos de dois em dois modelos, durante 15 dias. No primeiro dia, mais de 450 pessoas apareceram no local interditando a rua e foi necessário chamar a policia para dispersar a multidão. Percebendo que a mecânica não havia funcionado, passaram então para um sistema online, mas igualmente frustrante. “Na época havia pessoas pagando em torno de 100 reais apenas para se inscrever no sorteio”, conta Ricardo. Ou seja, algo está errado e tem muito a ver com a indústria de revenda que se formou em torno desses hypes. “Essa dificuldade de conseguir tênis e a frustração dos consumidores só acontece porque os itens valem mais quando saem da loja do que quando estão nas prateleiras”, explica ele.

O modelo Vapor Max, da linha The Ten. (Divulgação/Divulgação)

Segundo Josh Luber, fundador da plataforma Sotck X,  que funciona como uma bolsa de ações de sneakers , estima-se que o mercado de revenda está avaliado hoje em 1,6 bilhão de dólares. O resultado disso? Centenas de pessoas sendo pagas para ficar nas filas dos lançamentos mais aguardados, bots que criam scripts online para acelerar a compra no momento que as peças são lançadas virtualmente e outras transações duvidosas que fazem com que o consumidor final se distancie ainda mais desse processo, tornando uma experiência que costumava ser boa em um pesadelo.

“Antes a fila de tênis era legal. Você ia, confraternizava, trocava ideia, via os tênis que os outros tinham”, recorda Ricardo. “Agora virou um ambiente hostil, pois a maioria das pessoas está sendo paga para ficar ali”, diz ele, citando alguns exemplos recentes como o caso de uma briga feia entre duas pessoas para comprar os tênis da nova coleção de Pharrell para a Adidas e outro na China, onde uma multidão se revoltou contra um homem que conseguiu comprar 20 pares de um modelo enquanto todos estavam há horas aguardando na fila pelo mesmo item. “Aqueles compradores pretendiam usar e não revender. Quando viram uma pessoa sair com 20 tênis na mão, a revolta foi tanta que ela acabou sendo espancada pela multidão.”

O modelo lançado pela Balenciaga também virou um hype difícil de encontrar. (Fotosite/Agência Fotosite)

E como reverter essa situação? “É a questão de todas as marcas hoje. Como evitar isso sem acabar com o encanto que é comprar tênis”, diz. “Não há como negar que é legal ter um par que poucos possuem. Isso faz parte do business e esse é o grande desafio: fazer a peça chegar ao consumidor final sem estragar essa mágica que é ter algo exclusivo”, avalia Ricardo. “As marcas precisam controlar seus lançamentos, entender que nem sempre um tênis que não acaba em um dia é um fracasso e se concentrar nas estratégias para minar as revendas”, arremata. Fica a dica.

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