“Ter cabelo colorido é algo bem mais profundo do que parece, é ousar sem medo de ser feliz”, diz Marimoon

Os cabelos coloridos estão em alta e não é de hoje. Pintar as madeixas de cores divertidas se tornou praticamente um acessório fashion e, temporada após temporada, a tendência se reafirma. Porém, para quem quer investir no visual, muitas dúvidas começam a surgir: será que estraga os fios? Qual é a melhor tinta? E quem melhor do que uma veterana no assunto para responder tudo isso, não é mesmo? Conversamos com Marimoon, a apresentadora que encanta o mundo com suas madeixas há anos, para entender melhor as tendências para cores e os cuidados com os fios recém pintados.

Você sempre pintou o cabelo de tons diferentes, como foi ver isso se tornar moda nos últimos anos?

Ah, foi e é uma delícia! Eu sempre sonhei em viver em um mundo com mais pessoas diferentes transitando por aí sem medo de ser feliz. As pessoas têm dificuldade de lidar com tudo que é estranho, que é incomum, que está fora do universo de referências delas, gerando a exclusão e desrespeito com todas as minorias. Isso vale para todo mundo: se você é o único negro da sala, o único gay da família, o único com visual esquisito do bairro, a única trans da cidade…

Quando a gente encontra a nossa turma e a turma cresce, o grupo começa a se apoiar e a virar algo mais “normal” para o público “padrão”, que costuma ser a maioria. Muita gente me dizia “eu acho lindo, mas não tenho coragem” e eu ficava tão triste. Isso significa que é difícil ser fora do padrão porque as pessoas maltratam quem ousa ser diferente. É muito chato ser a esquisita da turma que sofre bullying, mas eu sempre achei mais chato ainda deixar de ser eu mesma pra agradar os outros.

Daí quando começa a ter cabelo rosa no desfile da Chanel, cabelo azul na vitrine da C&A, personagens estampando cabelo colorido no cinema, fica mais fácil para aquela pessoa, que estava com medo de ousar ser quem ela queria, botar tudo pra fora e sair na rua literalmente sem medo de ser feliz. Isso representa uma fase de mudança profunda na mentalidade da nossa sociedade. É algo bem mais profundo do que parece! Esse tipo de atitude abre a mente das pessoas para tudo que é diferente do padrão delas, incluindo para todas as minorias.

Você tem percebido alguma tendência muito forte além da de tons pastel?

Esse tipo de cabelo que eu estou usando, aceitando a raiz natural, está sendo uma tendência bem forte. Primeiro porque já faz muito tempo que a galera alternativa está pintando o cabelo e a gente cansou de ir fazer a raiz a cada 15 dias (risos). E a melhor opção é aceitar a raiz e fazer um efeito ombré, tipo aquelas californianas que as loiras fazem bem lindamente, só que colocando colorido onde seria o loiro claro. A cor fica nas pontas e você ainda aproveita para dar uma pausa na química no cabelo novo que tá brotando.

Outra tendência que surgiu há um tempo, mas a galera ainda está usando são os tons acinzentados ou metálicos. Eles têm uma cor leve, mas a base é cinza. Ficam lindos e dá para variar bastante. Ótima opção pra quem enjoou do supercolorido e também pra quem procura uma versão mais madura para o cabelo rainbow. Também é legal porque, de alguma maneira, quando a cor está menos saturada, fica mais fácil de combinar com outras cores de looks. Uma das coisas que eu acho chato é deixar de usar uma peça porque ela não combina mais com o meu novo cabelo.

Leia Mais: O cabelo ombré cinza é a nova obsessão de beleza

André Giorgi André Giorgi

André Giorgi (/)

Você costuma pesquisar as tendências antes de escolher a sua próxima cor?

Eu mudei muito nas últimas semanas! Estava com o rosa, uma das minhas cores favoritas que é bem fofa, depois fui para o azul, que me remete a um estilo bem alternativo, em um tom um pouco acinzentado que fica mais chic e agora eu estou com roxo. Eu gosto dos tons azuis e roxos porque posso combinar com roupa cor de rosa, vermelha, vinho. Gosto especialmente de usar batom vermelho ou vinho com cabelo azul. Dizem que azul é uma cor que transmite calma, acho que pode ser uma ótima opção para minha fase de inferno astral agora (risos). E roxo é a cor da criatividade. Eu confesso que eu não penso em cromoterapia na hora de escolher as tintas… Talvez eu devesse! Na realidade, eu escolho baseado nas cores que eu tenho disponíveis em casa e na escala de cores. Por exemplo: para eu sair do vermelho e ir para o verde, eu teria que descolorir, então não dá. Do azul para o roxo já é bem fácil: você adiciona rosa e prontinho

E como o seu cabelo aguentou toda essa coloração? Conta para gente o segredo!

O maior trabalho é mantê-lo saudável. A cor eu me divirto quando ela desbota (adoro tons apagados e desbotadinhos) então não fico retocando com tanta frequência. Eu gosto de usar um bom shampoo, condicionador, máscara e depois de secar (sempre que possível sem secador porque meu cabelo já é liso) eu uso leave-in em spray e óleo nas pontas. Daí tem a visita aos salões pra hidratar, restaurar, nutrir e cuidar do couro cabeludo.

Você tem uma rotina de beleza para cuidar dos fios? Usa algum shampoo especial, alguma máscara queridinha?

Uma boa máscara pode ser a solução pra salvar qualquer cabelo. A Kerastase tem opções bem legais como a da linha Resistance, a L’anza também tem uma da linha Healing que eu gosto, mas o ideal é ver com um profissional qual tipo de máscara o seu cabelo precisa. Cada cabelo um caso!

E como você pinta, em casa mesmo ou em algum cabeleireiro?

Eu adoro pintar o meu próprio cabelo! Eu sempre gostei de artes, desenho desde pequena, adoro fazer aquarela e o processo de pintura do cabelo é bem similar. Depois de muitos anos vendo profissionais fazerem as cores para mim, eu percebi que poderia facilmente fazer em casa e, ao tentar, vi que o meu resultado ficava até melhor do que o deles. Infelizmente tem poucos profissionais no Brasil que sabem pintar com cores arco-íris, até porque faz pouco tempo que essa moda chegou por aqui. Eu cansei de pedir uma coisa e sair do salão com outra totalmente diferente. Então acabei fazendo em casa e hoje faço as cores eu mesma. O que eu não faço é a descoloração, que não dá pra fazer em casa sozinha. Você precisa observar a raiz direitinho pra não passar o descolorante duas vezes no mesmo lugar, ou o cabelo sofre corte químico, algo MUITO perigoso!!!   

Quais são as tintas ou tonalizantes que você indica?

Eu gosto muito das gringas. Uso Raw, La Riche, Manic Panic e Special Effects há muitos anos e sempre achei ótimas especialmente porque elas têm uma cartela de cores lindas. Daí conheci outras que eu gostei: Punky Color e Crazy Color. E na última vez que fui pra Los Angeles testei as tintas do Butterfly Loft Salon e adorei (mas não sei se eles vendem online). Das brasileiras eu não tenho nenhuma favorita ainda, mas confesso que não testei todas. Nunca usei corantes como anilina ou violeta genciana porque ouvi de algumas pessoas que não faz muito bem para os fios, apesar de conhecer gente que adora. Existe uma questão importante, que é a fixação da tinta e o quanto ela resseca seus fios. Tem que tomar cuidado porque tintas muito baratas ficam com cores feias, ou, às vezes, desbotam em um tom feio, além de soltar muito rápido e deixar sua roupa, toalha e roupa de cama manchadas. Uma boa técnica é fechar as cutículas com um tratamento no salão logo depois de pintar.   

Você acha que a cor da tinta influência no dano que ela causa nos fios? Um tom pastel, por exemplo, prejudica mais do que um tom aberto? Ou o verde prejudica mais do que o lilás?

Um tom claro como o pastel requer uma base praticamente branca. Um tom escuro pode ser feito com aplicação de cor forte e vibrante em um castanho claro. O problema é sempre o processo de descoloração, que vai detonando os fios, quanto mais ele precisar clareá-los. A tinta que é mais saturada costuma ressecar um pouco mais o cabelo porque a cor clarinha nada mais é do que a saturada diluída em creme. Normalmente quando eu quero fazer um tom pastel eu compro a cor bem forte e misturo com um creme simples (e branco) de tratamento. Rende mais e já dá uma tratada nos fios.

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