Urias cantou “Geni” no desfile de Isaac Silva na Casa de Criadores

No quarto dia de evento, mulheres trans tomaram a passarela do estilista. Além disso, saiba tudo sobre as duas estreias que aconteceram ontem.

Xica Manicongo. Esse é o nome da primeira travesti brasileira, que, já 1591 abria espaço e lutava pela visibilidade da mulher negra. Da mulher negra trans mais ainda. Corta pra 2018, e a média de vida de mulheres negras trans beira os 20 anos. Parte dessas estatísticas a coleção de Isaac Silva, uma celebração e manifesto sobre identidade e feminismo negro.

Leia mais: Coleções conceituais com teor emocional se destacam na Casa de Criadores

 (Marcelo Soubhia/Agência Fotosite)

Na passarela, só modelos negras e trans. Na trilha, primeiro um texto escrito pela diretora de arte e ativista Neon Cunha e proclamado pela mestranda em sexualidade Magô Tonho; depois Geni, na voz da cantora Urias. No corpo, vestidos e conjuntos com estampas africanas em preto e branco, um mix de ancestralidade e realidade presente. Nas etiquetas, o nome de cada modelo que usou a peça em questão. É que este desfile é também sobre visibilidade. Visibilidade de quem raramente é chamada pelo nome, olhada na cara e tratada com o respeito que todos devem ser tratados. É uma tentativa de fazer da nossa realidade mais humana, justa e digna. Com Aretha Sadick (foto acima) toda-poderosa no final do desfile, aliás, o argumento só se fortalece.

Ainda no tema da negritude, mas por um ângulo completamente diferente, aconteceu a estreia da estilista cabo-verdiana Angela Brito. Em sua primeira apresentação na Casa de Criadores, ela mostra a que veio com uma coleção simples somente à primeira vista. “Eu amo quando dizem que minha coleção é simples”, disse a estilista cabo-verdiana que é expert em modelagem no backstage. A ideia é fazer um shape muito complexo parecer leve no corpo. Até porque, é essa noção de leveza que inspira o seu trabalho nessa temporada. Se na coleção anterior ela falava de feminismo negro e cura, aqui a designer se pergunta: de onde eu sou?

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[/caption]“Cabo verde é um monte de ilhas despejadas no meio do oceano. Eu já morei em Portugal e agora estou no Brasil – essa ideia de não pertencimento cabe muito em mim”, falou enquanto tirava das araras algumas de suas peças cujas linhas propositalmente enganam o olhar: uma saia na qual uma costura se desdobra em fenda, uma blusa que pode ser usada de duas formas completamente diferentes entre outras de suas composições tão plurais quanto suas origens. Misturando seu olhar delicado, as estampas de Samuel Saboia e o background em engenharia, Angela fez um lindo debut no evento.

Ainda falando de estreias, temos também a marca de Campinas Saint Studio. Provando sua essência minimalista, ela dissecou cada peça de roupa ao mínimo necessário: eliminou costuras, volumes e tudo mais que fosse dispensável. O resultado é uma coleção de formas simples, com muita alfaiataria e cartela de cores contida.

brilelle.files.wordpress.com/2018/07/sstu_v19_002.jpg?quality=90&strip=info”>[/caption]Já na

Já na Neriage, o ponto de partida é o livro “O Velho e o Mar” de Ernest Hemingway, e se estende por uma exploração criativa e emocional sobre os estados da água. Isso já é suficiente para explicar a paleta (com destaque para o azul intenso, primeiro uso tonalidade marcante da estilista), as formas amplas e fluidas e o caimento de muitas peças. Acontece que a moda de Rafaella Caniello, nome por trás da label, é muito pessoal e toda feita a mão. Ou seja, tem muito da energia de quem colocou a mão na massa. Daí que cada look carrega uma carga emocional elevada, como que banhada ou imersa num oceano de sentimentos e pensamentos.

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Quem també

[/caption]Quem também deixa o emocional falar mais alto em sua moda é Caroline Funke. Tudo é inspirado nos contos que ela escreve. Dessa vez, ela explora a ideia de misturar passado e futuro com a ajuda da tecnologia do fio Emana da Rhodia. Para trabalhar o material de maneira inusitada, ela escolheu shapes clássicos da alfaiataria. O resultado são peças que namoram o sportswear, mas tem um acabamento diferenciado, com styling de Marcell Maia.

Caroline Funke
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