Vivian Whiteman relembra trajetória de Azzedine Alaïa

Conheça o legado do couturier que morreu aos 77 anos, em Paris.

Com sua morte, aos 77 anos, Azzedine Alaïa encerra uma vida dedicada à arte da couture.

Embora tenha trabalhado por décadas também com o prêt-à-porter, foi no mundo da Alta-Costura, entre suas possibilidades técnicas aplicadas a sonhos de tecido, que ele exercitou seu talento de estilista e escultor, com formação na escola de Belas Artes de sua cidade natal. Não à toa foi nesse circuito que ele escolheu, neste ano, apresentar sua primeira coleção depois de anos de reclusão.

O tunisiano trabalhou alguns dias para Dior, antes de ser demitido por estar sem seus papéis de imigração. Ele havia acabado de se mudar de Túnis para Paris, em 1957. Começou mesmo sua carreira com Guy Laroche e, em 1963, abriu seu primeiro ateliê na Rive Gauche.

Apesar de seu gosto pela couture, foi com o prêt-à-porter que alcançou fama e prestígio. Suas impressionantes silhuetas, as esculpidas e as que esculpiam o corpo envolvendo-o em faixas sexies e modeladoras, foram um estouro, apresentadas por tops como Naomi Campbell, que se tornou uma grande amiga.

O rótulo “the king of cling” (algo como o rei do colante) é evidentemente bastante simplista para definir Alaïa. Seu conhecimento de cortes, drapeados e construção de modelagens foi extraordinário. Suas peças mais complexas contam com uma série de módulos de tecido, tão bem resolvidos e organizados que resultam em um look de pureza e simplicidade formal impressionante.

Alaïa não gostava de manequins, preferia o corpo vivo para base de suas ideias. As silhuetas criadas por ele, embora sensuais, não caem nos clichês do fetiche, e, ao menos da maneira pensada por ele, são qualquer coisa menos vulgares.

Também teve um papel importante nas experiências com materiais como o couro, que pesquisou e aperfeiçoou à exaustão desde o final dos anos 1980 para a exigência de cada uma de suas criações. Foi também pioneiro ao importar os tecidos elásticos do mundo esportivo para o contexto do luxo e da sofisticação.

Crítico dos estilistas-estrela sem substância e da “tirania” de certos personagens da mídia de moda, Alaïa foi um homem de atitude, posições radicais e poucas palavras, algo raro no circuito fashion contemporâneo.

Influenciado pela arte e por criadoras como Madeleine Vionnet , Alaïa foi o mestre de toda uma geração de estilistas da forma, como por exemplo Nicolas Ghesquière.

Idolatrado por socialites, artistas e estrelas pop como Madonna, Grace Jones e  Lady Gaga, com quem trabalhou pessoalmente, Alaïa deixa um grande legado de imagens mas também de posicionamentos. Foi o primeiro de seu tempo a dar um chute no calendário oficial de moda, escolhendo lançar suas coleções em seu próprio tempo e segundo as especificidades de seu
processo.

Em 2013 ganhou uma retrospectiva em Paris, que dava ideia da diversidade de sua produção, dos vestidos de baile aos curtinhos de balada e figurinos para a Ópera.

“Recebi as maiores ofertas de contratos do mundo, recusei todas elas. Não é meu negócio, não aceito enganar pessoas”, disse certa vez, em um dos seus famosos statements.

Em um mercado que tantas vezes mal disfarça sua misoginia, Alaïa se alinha com nomes como Saint Laurent, grandes apaixonados pelas mulheres. “Faço tudo para elas. Se não fosse pelas mulheres eu não escolheria esse trabalho.”

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