Você sabe de onde vem o affair entre o hip-hop e a moda?

Nossa editora Vivian Whiteman explica que não é de hoje que a moda é influenciada pelo hip-hop.

Nos Estados Unidos, já nos anos 1970, tênis e agasalhos de marcas esportivas cobiçadas chegavam às periferias como itens de absoluto desejo e ícones de um novo estilo. Em Nova York, em uma das histórias mais extraordinárias da música, a cena hip-hop nascia no Bronx entre gangues e incêndios e, com ela, uma maneira de vestir e usar essas peças que mudou os rumos da moda. Foi nos guetos e bairros pobres do mundo que o streetwear ganhou peso e forma – o que as elites e a classe média usavam como uniforme para a prática esportiva virou roupa de todo dia com misturas inusitadas e um senso de styling único.

No Brasil, antes dos Nikes, Adidas, Pumas e Converses, o jeito era apelar para os famosos “chinesinhos”, modelos de lona com estrela da marca Forward, que por aqui virou Faroait, como lembra Mano Brown na letra de Quanto Vale o Show?. Já no rap Fórmula Mágica da Paz, ligando qual era o estilo dos bailes nos idos da década de 1980, ele canta: “Eu era só um moleque, só pensava em dançar/ Cabelo black e tênis All Star”. Com o hype do novo seriado The Get Down, da Netflix, que começa exatamente no Bronx dos 70’s, outras produções que falam do princípio do hip-hop estão sendo (re)descobertas. O documentário Rubble Kings (2015), por exemplo, além de reunir imagens e entrevistas incríveis, é uma aula de referências. Dos patches personalizados que você está usando na sua jaqueta hoje ao filme Warriors, que virou cult de Sessão da Tarde e inspirou editoriais de moda, tudo veio do período retratado pela produção.

Mais do que um modelo em ascensão (moda autoral e criativa com preço competitivo), elas pensam na inclusão de um grupo de consumidores que acompanha e se identifica com a história visual do gênero, que embora tenha alcançado o high fashion, nasceu e continua sendo escrita nas ruas das grandes cidades.

Nessa onda, novos artistas do gênero ganham espaço, os big stars da cena ampliam seus seguidores, e os veículos de mídia se esforçam para tê-los em suas capas e redes. Atualmente, até mesmo as grifes fora desse universo se renderam ao apelo do hip-hop. Além da Gucci e de Alexander Wang, Rihanna e A$ap Rock para a Dior são um bom exemplo da trend. Rihanna fez óculos para a maison francesa e A$AP é um dos rostos da Dior Homme. Sem esquecer, é claro, a presença absoluta de Kanye West e Riri no noticiário de moda – com suas marcas próprias, estrelando campanhas ou usando as it-peças do momento.

A linha Rihanna Fenty, além de representar o estilo das mulheres do hip-hop (que têm papel-chave no movimento), oferece produtos mais acessíveis. Assim como a nova LAB, do rapper Emicida, que apresentamos nesta edição. Mais do que um modelo em ascensão (moda autoral e criativa com preço competitivo), elas pensam na inclusão de um grupo de consumidores que acompanha e se identifica com a história visual do gênero, que embora tenha alcançado o high fashion, nasceu e continua sendo escrita nas ruas das grandes cidades.

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