Zuhair Murad é acusado de apropriação cultural em desfile

Representações genéricas de diversas culturas indígenas apareceram sem filtro na passarela de seu desfile.

O desfile de verão de Zuhair Murad está levantando debates e críticas na redes por causa de sua apropriação cultural. A começar por seu tema, “#IndianSummer” (“Verão Indiano”), que também foi uma hashtag criada para promover o evento. A temática que já problemática foi traduzida em “influências indígenas” diversas e muito estereotipadas.

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O couturier libanês recheou a passarela de penas, estruturas que lembram as teepees (espaços de importância espiritual para algumas tribos), música com “flautas indígenas” (sem especificar a qual grupo pertence o som), além de estampas com um mix de referências também genericamente indígena.

Um dos maiores problemas que envolvem a apropriação cultural é a descaracterização individual de cada grupo. Quando alguém tem “referências indígenas” sem uma pesquisa profunda dos símbolos, formas e suas origens culturais, as comunidades sofrem ainda mais com o apagamento e a homogenização de sua cultura e suas diferenças. Essas diferenças são o que tornam cada tribo rara, porque são uma manifestação de sua presença única na terra.

As penas de águia, por exemplo, são símbolos sagrados para algumas culturas indígenas norte-americanas, e adornar cabelos femininos com elas pela sua beleza pode ser extremamente ofensivo para esses rituais.

A hashtag “Verão Indiano”, além de geograficamente incorreta, tem a terminologia “indiano” para essas referências, que foi abandonada no ambiente acadêmico há mais de 60 anos para evitar exatamente os estereótipos que Zuhair reforçou na passarela.

Acontecimentos como esse aparecem com frequência na moda — como a vez que Marc Jacobs foi intensamente criticado após usar dreads em seu desfile. A desconstrução é um caminho longo, mas necessário para que a moda não reproduza opressões.

 

 

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