Por que Terry Richardson é considerado o Harvey Weinstein da moda

Mais mulheres denunciam abusos para alertar outras mulheres.

O fotógrafo Terry Richardson está envolvido em duas novas denúncias de abuso sexual. No dia 13 de dezembro, foi a designer Lindsay Jones que contou sua história ao Huffington Post do Reino Unido. Um dia depois, a modelo Caron Bernstein também fez um relato semelhante ao New York Daily News. De acordo com elas, é necessário falar sobre o assunto para que outras mulheres mais jovens possam receber ajuda.

Lindsay contatou o jornal há um mês para compartilhar sua história. Ela afirma que se encontrou com Terry entre 2007 ou 2008 para uma reunião durante o café da manhã, depois de receber um convite para uma sessão de fotos, mas foi encurralada pelo fotógrafo logo na entrada de seus estúdio. “Ele não me deixou passar da porta”, conta ela. “Ele já me encurralou na porta com seu cachorro e disse para eu ficar de joelhos na hora. Não teve ‘como vai você?’, não me ofereceu café, não teve ‘bem vindo ao meu escritório. Esse é meu quarto. Como foi seu dia? Posso segurar sua bolsa?’ – nada. Foi só, ‘fique de joelhos.’”

No caso de Caron, ela relatou ao veículo que o abuso aconteceu durante um shooting. As histórias se complementam porque tanto Terry quanto seus advogados afirmam que qualquer ato que acontece durante as fotos é consensual — já que suas imagens são carregadas de energia sexual. O caso de Jones acaba com essa suposta linha tênue criativa.

Não é a primeira vez que Terry Richardson recebe acusações de má-conduta sexual e de abuso parecidas. Na verdade, faz quase uma década que elas acontecem: a modelo Jamie Peck escreveu um texto pessoal em 2010 no The Gloss, e Anna del Gaizo contou sua história ao Jezebel em 2014. Se Terry continuou trabalhando para grandes marcas e publicações é porque essas histórias foram ignoradas — ele inclusive assina a direção do clipe Vai Malandra, de Anitta, publicado hoje. Ela se pronunciou sobre o assunto, afirmando que buscou o que poderia ser feito juridicamente, mas que além disso levava em consideração o envolvimento de sua equipe e dos moradores do Vidigal, onde o clipe foi filmado, para continuar com a divulgação.

Em outubro deste ano, grandes revistas de moda internacionais divulgaram que o fotógrafo havia sido banido de suas publicações. No mesmo mês, o jornal The Sunday Times escreveu um artigo provocativo em que questionava por que a indústria fashion e do entretenimento ainda se interessavam por colaborar com ele, e apontou que ele estaria sendo apelidado de o Harvey Weinstein da moda. Vale lembrar que ele também dirigiu o clipe de Wrecking Ball, de Miley Cyrus, que posteriormente se arrependeu da filmagem.

Chega de silêncio

De acordo com um report feito em 2012 pela agência Model Alliance, 86.8% das modelos contam que já houve pedidos para posarem nuas sem receberem notificações anteriores, 30% delas afirmaram já terem recebidos toques inapropriados durante um trabalho e 28% afirmaram já terem sido forçadas a fazerem sexo com alguém durante o trabalho. A maioria delas afirma que não reportaram os incidentes à ninguém — em parte porque acreditaram que suas agências não seriam receptivas e nem veriam problema na questão.

Assim como no caso do produtor de cinema Harvey Weinstein, acusado por atrizes e modelos de Hollywood, mulheres foram ignoradas e silenciadas por anos. Agora, ele está sendo investigado oficialmente –, ouvir as mulheres e seus relatos faz parte do processo de acabar com a cultura masculina predatória desses meios. Se depender delas, isso está chegando ao fim — e nenhuma outra mulher será afetada por esse tipo de postura em lugar nenhum.

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  1. Tem que denunciar mesmo, lembro que essa modelo que o denunciou antes, não foi levada a sério e mal teve apoio.

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